A máscara não é tecido mas uma liga de dever e silêncio moldada no rosto. Quando o estojo de facas se abre, a angústia e a devoção respiram no mesmo fôlego: o aperto no peito que se entrega ao fogo, prece seca que sustenta.
Exausta, a face sob a máscara subsiste. Tateia entre o estrépito e o vazio, busca por um sentido que escape à repetição. Mas o perigo é mudo: de tanto uso, torna-se máscara. Para o bem e para o mal, somos o que repetimos; o ferro torna-se carne.
Categoria: Biblioteca
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A máscara
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Caravela sob o brilho do sol
O Inverno é deposto quando o sol antecipa o verão que se ensaia aqui.
A caravela recorta o tempo, cruzando o mar devagar.
As pessoas despem o passado.
A esperança é este dia: uma metáfora real do provir. -
O Copo de Água

Há dignidade no copo em cima da mesa. Não apenas na transparência mas na promessa da sede saciada. O copo espera, contendo em si a clareza que muitas vezes falta ao pensamento.
Olhar para ele pacientemente: a água imóvel, mas viva, atravessando o sol em pequenos pedaços que dançam na madeira da mesa. Beber esta luz antes que o sol finde.