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Reflexões, ficção e outras narrativas



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Tag: classicismo

  • Resumo sobre Elegia

    Sendo um género de poesia lírica reconhecida pela sua intimidade emocional, a elegia exerceu uma influência significativa ao longo da história literária. A poesia elegíaca é uma das formas mais antigas de lírica monódica. Ela era uma forma de poesia cantada por um único indivíduo (em contraste com a lírica coral, cantada por um grupo de pessoas – o coro) e era acompanhada por música (flauta). Tendo a sua origem na Grécia Antiga, por volta dos séc. VII e VI a.c., a elegia definiu-se pela sua composição métrica, que consistia em dísticos escritos em linhas de hexâmetros e pentâmetros dactílicos, alternadamente. Tem fortes ligações com a poesia épica, sua antecessora, e deve ter sido, inicialmente, um canto litúrgico para enterros e banquetes fúnebres.

    Na etimologia aceite pelos antigos (elégia, em grego) significava “canto choroso, de lamento” e teria uma temática orientada para o pathos, quer dizer, para o canto de sentimentos e de paixões, com temas voltados para a dor e para a melancolia. Nos seus primórdios, os poetas gregos cantavam acerca de um variado leque de preocupações humanas (incluindo ética, amor, guerra e morte) pelo que existiam diversos tipos de elegias: guerreiras, amorosas, morais e filosóficas, etc.
    Mais tarde, a forma elegíaca foi adaptada pelos poetas da Roma Antiga, tornando-se bastante popular durante o séc. I a.c. Os grandes poetas elegíacos deste período foram Cornélio Galo, Albio Tíbulo, Sexto Propércio e Públio Ovídio Nasão. Os poetas romanos clássicos transformaram o género elegíaco, escrevendo mais subjectivamente e adaptando a forma praticada pelos poetas gregos que os antecederam. Esta nova forma expandiu-se para além dos temas tradicionais de amor e de morte, abrangendo vários aspectos da vida quotidiana. Para além disso, os estudiosos consideram que as elegias deste período já não seriam para ser cantadas mas antes lidas.

    A forma poética da elegia foi-se modificando e adaptando ao longo dos séculos e através de diferentes linguagens e culturas. A dimensão bucólica existente na elegia grega terá estado na origem da vertente pastoral que se manifestou em Itália e, depois, em França e Inglaterra. Também sob influência italiana, a elegia portuguesa (Sá de Miranda, Camões, etc.) expandiu-se para outros temas, como o patriotismo, a religiosidade ou o belo. Em Inglaterra, a elegia veio a conhecer, ao longo dos tempos, cultores de vulto (como Milton, Pope, Wordsworth ou Yeats). Nos Estados Unidos da América, a elegia, que já se havia revelado na época colonial, atingiu o seu expoente máximo com Walt Whitman,no séc. XIX. A expansão da elegia para outros temas persistiu no séc. XX, abraçando o plano político e as questões sociais. Os poetas contemporâneos compõem elegias acerca das crises pessoais e sociais, incluindo os tópicos da guerra, da doença ou das alterações climatéricas.

    Bibliografia:

    Centeno, Rui (Coord.). Civilizações Clássicas II: Roma. Lisboa: Universidade Aberta, 1997.

    Sites consultados:

    – E-dicionário dos Termos Clássicos
    Verbete sobre Elegia,por Mário Avelar – 30/12/2009
    – Portal Grécia Antiga
  • A Ode como legado clássico


        A idade de ouro da literatura romana clássica foi a época de Augusto. Durante esse período atingiu-se a perfeição nos géneros literários praticados. Dava-se continuidade à tradição grega, imitando-se os motivos e as técnicas da sua poesia. É neste contexto que podemos apreciar Odes, de Horácio, exemplo de poesia lírica. Foi através dele que chegou até nós a ode de origem grega, embora adaptada. Horácio foi o principal transmissor da ode para as modernas literaturas nacionais.

         Em tradução livre, ode significa “canção”. No verbete sobre Ode, de Ana Ladeira, no E-dicionário de Termos Literários (coord. de Carlos Ceia), podemos ler que “a ode era, na antiguidade clássica, um poema lírico, normalmente de alguma extensão, e de assunto elevado e nobre, expressando sentimentos ilustres, em celebração de algum evento especial.”

         Originais da Antiguidade Grega, as odes seriam poemas acompanhados por música, com forma de canto, individual ou por grupos (coro). Tal como a restante poesia lírica, não tinha rima e o metro era baseado na sequência de sílabas curtas e longas (pés). A estrutura métrica era muito variável e criava um efeito característico. A poesia grega era para ser escutada, mais do que lida.

         No entanto, de acordo com Pedro Braga Falcão, na introdução à sua tradução de Odes, de Horácio (Livros Cotovia, 2018), parece que as odes horacianas não foram escritas para serem cantadas. Nem nenhum dos ritmos usados por Horácio terá sido criado por ele. Os seus ritmos inserem-se na tradição lírica grega. O poeta inspirou-se nos metros e nos temas dos autores gregos, adaptando-os à realidade romana.

         A obra de Horácio constitui o modelo mais influente nas odes da literatura ocidental. Quer isto dizer que grande parte das odes dos séculos posteriores foram inspirados pelos poemas de Horácio. Os poetas do Renascimento começaram por escrever poemas em latim, inspirados pelos autores da Antiguidade Clássica, Posteriormente, também se compôs em línguas vernáculas este tipo de poesia. A ode espalhou-se pelas literaturas europeias, sob a influência do classicismo.

         Em Portugal, foi logo desde o Renascimento que se cultivou este género literário, utilizando a ode horaciana como modelo artístico. Mais tarde, foi amplamente explorada no Arcadismo. Em 1865, Antero de Quental publicou as suas Ode Modernas. No século XX, Fernando Pessoa resgatou a ode, através dos seus heterónimos Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Também Miguel Torga recriou o esquema clássico das odes, adaptando a sua estrutura rítmica.

         Apesar das suas mutações, a forma da ode foi uma das mais resistentes na arte da poesia. Ela continua presente no panorama literário actual.

    Bibliografia:

    • Centeno, Rui (coord.). Civilizações Clássicas II: Roma. Lisboa: Universidade Aberta, 1997
    • Horácio, Odes. Trad. de Pedro Braga Falcão. Lisboa: Livros Cotovia, 2018

    Sites consultados:

  • Epopeia, uma introdução

    A epopeia é a mais antiga das manifestações literárias. Trata-se de um poema narrativo de grandes dimensões que celebra uma acção grandiosa protagonizada por um herói com qualidades excepcionais. Embora a epopeia tenha fundamentos históricos, ela não apresenta os acontecimentos com fidelidade. Ela relata os acontecimentos revestindo-os com conceitos morais e actos exemplares, funcionando como modelo de comportamento. De acordo com o Dicionário de Literatura Portuguesa (Editorial Presença, 1996), “a literatura épica está intimamente ligada a tradições remotas, concretizadas na epopeia (do grego epopoiía), género narrativo em que se contam acções heróicas e grandiosas, essencialmente baseadas num imaginário e num tempo míticos.”

    Em Poética, Aristóteles considera que a epopeia seria uma imitação de homens superiores, com palavras e ajuda do metro heróico, o mais imponente e elevado dos metros. Para ele, a narrativa épica não possui limite, nem de espaço nem de tempo. A epopeia desenvolve o seu enredo, com diversos episódios, em torno de uma acção única e completa, com princípio, meio e fim.

    Os primeiros modelos ocidentais das epopeias são os Poemas Homéricos (Ilíada e Odisseia). Para além destes, destacaram-se ainda Eneida, do poeta latino Vergílio, e Os Lusíadas, do português Luís Vaz de Camões. Ilíada desenvolve-se em torno da Guerra de Tróia e do guerreiro Aquiles. Odisseia narra as aventuras do herói Ulisses, no seu retorno a casa, Ítaca. Eneida narra a saga de Eneias e a fundação de Roma. Os Lusíadas celebram os feitos marítimos dos Portugueses.

    Resumindo, podemos afirmar que a epopeia: i) é uma narrativa extensa com um fundo histórico, mesmo se por vezes apresenta factos que não são históricos; ii) regista, sob a forma poética, as tradições e os valores de determinado povo ou grupo étnico, recorrendo por vezes a lendas e a mitos; iii) apresenta as aventuras, reais ou lendárias, de heróis que se destacaram dos demais mortais.

    Bibliografia:

    – Aristóteles. Poética. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2018
    – Machado, Álvaro (org.). Dicionário de Literatura Portuguesa. Lisboa: Editorial Presença, 1996