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Tag: Bauhaus

  • Caso de Estudo: o Artífice na Bauhaus

    1) Re-unificação da Mão e da Mente.

    Antes da fundação da Bauhaus em Weimar (1919), o ensino ocidental consagrava uma fractura de classe e epistemológica entre a Academia de Belas-Artes (dedicada à teoria, à contemplação e à “alta arte”) e a Escola de Ofícios (dedicada à mera execução técnica e à formação de operários). A Bauhaus surgiu como o laboratório institucional criado para dissolver essa hierarquia, unificando a criação artística, o saber artesanal e a tecnologia industrial sob a mesma bancada.

    2)  O Manifesto da Bauhaus

    O artista é um artesão elevado. Em raros momentos de inspiração, transpondo a consciência da sua vontade, a graça dos céus pode fazer desabrochar a sua obra em arte. Mas a proficiência num ofício é essencial a todo o artista. Aí reside a fonte original da imaginação criadora.

    Walter Gropius

    3) Os três Pilares da Oficina

    • Fim da Barreira entre Artista e Artesão: No Manifesto de Weimar (1919), Walter Gropius recusa a existência de uma “arte de profissão”, afirmando que todo o pensamento abstracto deve assentar no trabalho de bancada e no contacto directo com a matéria.
    • O Duplo Mestrado (Doppelmeister): Cada oficina (Werkstatt) era conduzida por dois mestres em simultâneo: o Formmeister (Mestre da Forma: Kandinsky, Klee, Itten — responsável pela pedagogia da cor, forma e teoria) e o Handwerksmeister (Mestre do Ofício: artesão especialista no metal, madeira, vidro ou tecelagem). A criação exigia a validação dupla da razão teórica e do rigor técnico.
    • ​Do Artesanato ao Protótipo Industrial: Na fase de Dessau (1925–1932), sob a divisa “Arte e Tecnologia — Uma Nova Unidade”, o saber do artífice deixa de visar a peça única medieval para se converter na criação de protótipos de excelência destinados à reprodução em série e à transformação da vida quotidiana.

    A experiência da Bauhaus prova que a união entre o saber manual e a reflexão teórica não é uma utopia individual, mas uma ecologia pedagógica organizável – um sistema institucional e comunitário concebido para integrar de forma contínua, equilibrada e sustentável o saber prático das mãos com o pensamento crítico da mente. O artífice na bancada constrói a forma que a máquina irá multiplicar, garantindo que a tecnologia não deshumanize o sujeito nem aliene o trabalho.

    4) Fontes para Aprofundamento

    1. Droste, Magdalena (2019). Bauhaus: 1919–1933. Cologne: Taschen.
    2. ​Itten, Johannes (1975). Design and Form: The Basic Course at the Bauhaus. London: Thames & Hudson.
    3. ​Wick, Rainer K. (2000). Teaching at the Bauhaus. Ostfildern-Ruit: Hatje Cantz.
    4. ​Sennett, Richard (2008). O Artífice. Lisboa: Relógio D’Água.