AKERMAN, Chantal — Toute une nuit. Bruxelas: Paradise Films / Avoriaz Frères, 1982 (89 min.).
No asfalto, sob a luz difusa da noite, dezenas de corpos vagueiam pela penumbra urbana em colisão perpétua. Por vezes abraçam-se com urgência, outras abandonam-se sem esperar resgate. Alguns balbuciam palavras soltas contra a imensidão do silêncio. Há velhos e novos, altos e baixos, homens e mulheres num fluxo contínuo de encontros e desencontros — um bailado de insónias e desassossego.
É a Europa a respirar as cinzas de 68, quando a utopia embateu contra a muralha do real. Nesta noite, os corpos dançam a sua própria ruína.

